Territórios da Cor II

A segunda edição da exposição Territórios da Cor resgata, em 2011, um ano depois, a confirmação da maturidade artística de Percival Tirapeli, artista de novos mídias daqueles anos 70 – heliogravuras, xerografia, arte conceitual – quando participava do intenso movimento paulistano de galerias de arte, passando pela presença em duas Bienais de São Paulo, e de prêmios como o da Bienal de Gravura de La Paz, Bolívia, ou o renomado Salão de Artes de Santo André, no final dos 80. Na última década do século modernista dedicou-se ao ensino superior no Instituto de Artes da Unesp, agora titular em História da Arte Brasileira e autor de 17 livros -particularmente sobre o barroco brasileiro. É esse olhar de profundo conhecedor da arte, da composição, da cor, da técnica – aliado à emoção e beleza, que ele transfere agora para as telas com pintura em tinta acrílica.

A maturidade artística se expressa no gosto pela pintura utilizando a técnica da aquarela, mas com tinta acrílica aguada e sobreposições de cores – sobre tela, em grandes e pequenos formatos. Tirapeli retoma temáticas de seu doutorado, Oito Mitopoemas Gregos, recorrendo às citações de pintura pompeiana, homenageando o ano Itália/Brasil com a obra Erupção – tríptico de 3m x 1,50m. Ainda em dimensões similares são Pentágono I e II, com aguadas coloridas criando profundidades nas tonalidades verdes azuladas.

As formas geométricas tomam toda a superfície das telas Losango e Amarras com manchas sobre os campos pictóricos demarcados com linhas geométricas, que vão se diluindo sob vigorosas pinceladas. Já Carmen é uma paixão musical expressa em cores e pincelada agressivas, espalhando laranjas e vermelhos sobre a superfície alongada. Assim o novo trabalho do artista alia momentos ora na verticalidade do cavalete, ora na horizontalidade, dominando as manchas, e evoca o encontro das técnicas tradicionais com a gestualidade das vanguardas.

A série de pequenos formatos – 50 cm x 70cm – evoca de maneira abstrata as estações do ano, a profundidade das águas frias oceânicas, os verdes campos perdidos nos mares de morros ou ainda lembranças de vilarejos emoldurados por arcos romanos. Os pequenos formatos, se justapostos, lembram a bandeira brasileira, porém maltratada, com seus verdes esmaecidos e rasgos que lembram as devastações de nossas matas. Outros, uns sobre os outros, apontam para nossos mares profundos com azuis em ondas diluídas em águas abissais.

Laura Carneiro, jornalista.

Territórios da Cor II

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