Território da Cor I

A plenitude da arte revela um novo ciclo na vida artística de Percival Tirapeli. Artista promissor desde os anos 70, quando estudava Belas Artes e participava do intenso movimento paulistano de galerias de arte.

uma exposição exuberante, luminosa, abstrata e compositiva, cheia de gestualidade. Trata-se de assemblages em grandes formatos, compostas de trinta e seis aquarelas sobre papel Fabriano, livremente componíveis em sinfonias de formas e cores, sempre diferentes e sempre surpreendentes. Quando parecemos ter entendido o sentido em uma direção, aparece um significado ulterior na outra direção. Então vemos Kandinsky de um lado, surge El Lissinsky de outro, Mondrian parece dobrado e manchado, e o expressionismo abstrato faz também sua aparição.” diz Cesare Pergola, arquiteto e critico de arte, curador da exposição que aconteceu na Galeria Belvedere, em Paraty.

A maturidade intelectual o faz voltar à carreira artística, ao gosto pela pintura – desta vez a aquarela – depois de tanto acostumar os olhos às diferentes belezas que a arte propõe. Nesse meio tempo, claro, criou e expôs obras como a série Brasis (Roma, 1997) e Encontros (São Paulo, 2001). Em 2009 recomeça a atividade como artista plástico, com muita energia e inspiração. Na confluência entre o olhar do pesquisador e o do artista, surgem mais de 200 obras feitas sob a égide do mais puro prazer e encantamento, fazendo fluir pictoricamente anos de observação da arte sob os mais variados aspectos. Recentes viagens a países da America Latina trouxeram a inspiração dos incas e dos maias, de suas cores terrosas e formas arquetípicas, formas que também reaparecem nas influencias da arte greco-romana, retomadas pelo artista naquele momento.

Há também uma soltura que revela o artista na liberdade e a explosão no ato criador que a aquarela lhe trouxe. Além da composição com as linhas brancas e pinceladas coloridas amplas, sem limites, obtidas pelo jogo de áreas de cores vibrantes, há a luminosidade habilmente espalhada por toda a superfície do papel branco. O artista sabe que o papel na aquarela não é suporte, mas sim elemento participativo como cor e ou como luz. Não um suporte como em qualquer outro processo pictórico, e assim preserva o seu branco como elemento cromático e como espaço na composição de suas aquarelas. Entretanto, contidos neste contexto, estão também elementos provocadores de tensão, como as manchas revoltas, densas e intensas.” Norberto Stori, artista plástico, professor da UNESP e do Mackenzie, crítico de arte.
Em 2010, mão livre e solta, técnica apurada, coração e olhos concentrados nas cores, Tirapeli representa o Brasil no III Workshop de Artes de Medana, na Eslovênia, ao lado de outros 12 artistas de 7 países. Ali, o processo de criação se consolida em formas e cores fluidas, nas telas líquidas aquareladas. O abstrato toma formas, o figurativo se abstrai, no prazer da grande superfície. Como o artista reconhece, esta exposição origina-se da experiência pictórica de uma vida, pontuada pela primavera eslovena de 2010. Seguro de sua qualidade artística, Tirapeli nesta nova etapa subjuga cores, formas, pincéis, tintas, suporte, tudo a seu favor, tudo visando o objetivo que pode surpreender, tomar novos caminhos, mas que jamais  abre mão da beleza e da primorosa e criativa técnica.

 

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