Série Núpcias

São seis telas de 1,50 x 1,00 m, em acrílico sobre lona e novas paisagens de apontamentos ecológicos. Pinturas em acrílico sobre tela gravitam entre suas memórias de adolescência vivida entre as montanhas da serra da Mantiqueira em Guaratinguetá, mais propriamente nas Pedrinhas, e sua experiência de quarenta anos de pintura – começou a expor em 1972 – e  como professor universitário de desenho e pintura.

A série Núpcias foi concebida a partir do casamento da filha do artista,  Tarsila, em maio de 2012. São espaços grávidos, formas arredondadas, penetrações coloridas… o artista das cores usou toda sua emoção de homem, de marido, de pai, na inspiração destas obras prenhes de formas e cores. Azuis sutis, lilases femininos, rosas etéreos, marrons telúricos….

As composições verticalizadas ganham espacialidade nos campos pictóricos com o recurso de linhas retas inclinadas a comprimirem as extremidades e abrindo espaços arredondados no centro da tela. Acompanham as retas inclinadas convergentes para o ponto central geométrico, paralelas acima e abaixo – das quais explodem colorações que se movem nos espaços curvos. As pinceladas largas rompem por vezes os espaços comprimidos pelas retas sobrepondo os gestos insistentes do artista que, com maestria, consegue sequências de veladuras com o acrílico aquarelado.

As tensões se intensificam com as linhas das amplas pinceladas que tensionam os espaços nas laterais, ora acima das linhas geométricas dos campos retangulares, ora abaixo. Desloca assim para as laterais microcampos pictóricos de interesses visuais, potencializados por manchas de cores intensas e pinceladas gordas aliviando o centro geométrico que se apresenta mais limpo, com baixas tonalidades – revelando a trama da lona. Este recurso provoca um brilho intenso nas composições, a ponto de eclodirem depois de intensa gestação de infinitas camadas de finas cores sobrepostas, processo lento que requer paciência nas pinceladas e hora exata da concepção de novas tonalidades conseguidas pelas veladuras.

Por fim, as cores azuladas remetem às águas, aos líquidos envolventes que possibilitam novas vidas em espaços harmoniosos de paz e silêncio. As cores mais quentes, com vermelhos, laranjas, intensificam as linhas penetrantes- dos fluxos energéticos para a ampliação das formas gestadas. Verdes e rosas equilibram os campos pictóricos e se esparramam por todos os sentidos, ampliando horizontes por vezes interceptados por linhas finas, escuras, sulcadas com espátulas a demarcar fissuras ao mesmo tempo em que unem campos extremos.

Laura Carneiro, jornalista.

Série Núpcias

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