Homenagem a Piet Mondrian é uma série mais racional, mas de grande sensibilidade. São obras em diamond composition nas quais as cores emergem de fundos demarcados por linhas retas, tal como na obra do artista holandês. O carré rígido é quebrado pela instabilidade das bordas e gestualidades em drippings curvilíneos, impensáveis na racionalidade suprematista.

Aqui também a obra abstrata de Tirapeli, estruturada, lembra um nonsense. A arte é surpresa que evoca o impensado, a união das impossibilidades, tudo em um movimento infinito da criação humana.

Nessas Diagonais,  homenagens a Mondrian, o artista prefere a composição em diamante – o quadrado posto de forma diagonal –  desenvolvido pelo artista neoplasticista. Ao invés das linhas perpendiculares do holandês, Tirapeli prefere as aguadas escorridas que formam uma trama no campo visual.  Constrói primeiramente uma trama com linhas – usa a parafina, que recusa tinta acrílica – que revelam o fundo e trama da tela. Com pinceladas amplas, transparentes e linhas curvas, cria uma pintura com manchas, opostas àquelas propostas por Piet Mondrian. Assim cria um estranhamento entre a rigidez visual que a tela em diagonal nos transmite, ao mesmo tempo em que as linhas curvas e manchas tornam-se opostas à gramática neoplasticista – linhas perpendiculares e cores primárias, separadas por retas em preto.

 

Homenagem a Mondrian

 
 
Back to top